Hoje em dia assistimos a uma sociedade que cada vez mais se comporta como adolescente: o ideal dos portugueses não é aceder e transformar o mundo pelo saber, mas sim serem protagonistas do mundo do lazer. E estão dispostos a todos os sacrifícios, desde pagamentos exorbitantes a qualquer coisa que se intitule escola de modelos ou de formação de actores que prometa colocá-los na ribalta. Procura-se o protagonismo relâmpago, assente no dogma do mundinho de revistas cor-de-rosa e reconhecimentos infrutíferos que não traduzem, de modo algum, a realidade.
Essa é uma ilusão e o horror ao vazio e ao dito “jovem comum”, e explica porque tantos, sempre os mesmos, se esforçam por tanto e tão pouco por uma realidade que não existe, através de um mediático postigo que a descontextualiza e adultera.
Se se acredita que a qualidade da evolução de um país passa por proteger e incentivar os mais novos, então não nos esqueçamos que dessa qualidade irá depender a sociedade de amanhã, que não será mais do que um espelho da forma como conseguimos organizar essa tarefa.
Uma sociedade sem juventude não evolui; tão certo como é a mesma que deve procurar colocar tudo em causa, mesmo irreflectidamente, conduzindo a uma reflexão por parte da sociedade. Ora, se avaliarmos o impacto que a série “Morangos com Açúcar” tem na juventude de hoje, então não seria de todo injusto atribuir mais responsabilidade e formação cultural a esses “jovens promissores”, assim como ao argumento. Se não vejamos: há uns dias atrás estava eu na minha busca incessante em zapping de um programa nacional (note-se) de qualidade quando algo captou a minha atenção na TVI – meia dúzia de gatos pingados comentavam as suas experiências (ou falta delas) no que respeitava ao consumo de qualquer tipo de estupefacientes. Quando me dei conta que se tratavam de actores, ditos “morangueiros” fiquei atónita! Nunca vi tanta estupidez junta; e pior! Vangloriavam-se de nunca terem consumido qualquer tipo de droga, e com mais umas quantas certezas, lá iam arrotando alarvidades, típico de quem não tem qualquer tipo de experiência de vida e muita falta de instrução, numa verdadeira delinquência de valores.
- Esperem lá, disse eu. São estes as “mentes brilhantes” que consomem os ideais dos nossos irmãos mais novos, que preenchem as suas fantasias heterónimas e sonhos de juventude? Mas estes miúdos não sabem falar, nem têm opiniões formadas sobre nada, autovanglorizam-se por um fama efémera e idílica, e digo mesmo: parecem jovens delinquentes de cultura e informação. Será que são estes os modelos que os adolescentes de hoje querem seguir?
O fenómeno da série atinge uma vasta multidão que já se veste, fala e comporta-se como estes “atrasados mentais”. E não fica por aqui! Argumentos como, mais uma vez na minha saga em zapping descobri num outro dia qualquer:
- manel, tu fumas?
- Não mãe, é só umas passas...
- Sabes que fumar mata, provoca cancro e as pessoas sofrer muito?
- A sério? Não sabia mãe, desculpa... não volto a tocar em tabaco!
Ok, isto é o cúmulo!! A juventude não funciona assim! Um puto arrogante e que só diz alarvidades decide acatar os conselhos da mãe que não respeita? Sem falar naquele que vende droga e ataca uma rapariga e sai impune de tráfico e tentativa de homicídio. Ou talvez aquela que tem uma one night stand com um tipo que conheceu na noite anterior e acorda com sintomas de gravidez. Ou será mais convincente aquele que anda a tomar vitaminas ser confundido com um toxicodependente com direito a primeira página do jornal escolar. Mas isto é adultério! A transmutação de realidades que qualquer um subscrevia!
Educar jovens, ainda que brilhantes e sobredotados, é mais difícil em contexto de delinquência de valores. Esconder a realidade de nada vale, estando ela a entrar em milhares de lares. É necessário encarar de frente os problemas que estes adolescentes enfrentam diariamente, e que não se resolve às três pancadas. Eles precisam de desenvolver consciência crítica, mais do que saber distinguir o bem do mal é saberem dizer não ao que está errado e seguir pelo caminho mais correcto. Então porque não começar por educá-los pelos planos de entretenimento?O mais decisivo na educação não é o que estudamos, que lemos ou ouvimos, mas antes a forma, umas vezes imperceptível, outras vezes brutal, como os assuntos e as novidades nos chegam e nos moldam num mundo de ser a que chamamos humanos.
Essa é uma ilusão e o horror ao vazio e ao dito “jovem comum”, e explica porque tantos, sempre os mesmos, se esforçam por tanto e tão pouco por uma realidade que não existe, através de um mediático postigo que a descontextualiza e adultera.
Se se acredita que a qualidade da evolução de um país passa por proteger e incentivar os mais novos, então não nos esqueçamos que dessa qualidade irá depender a sociedade de amanhã, que não será mais do que um espelho da forma como conseguimos organizar essa tarefa.
Uma sociedade sem juventude não evolui; tão certo como é a mesma que deve procurar colocar tudo em causa, mesmo irreflectidamente, conduzindo a uma reflexão por parte da sociedade. Ora, se avaliarmos o impacto que a série “Morangos com Açúcar” tem na juventude de hoje, então não seria de todo injusto atribuir mais responsabilidade e formação cultural a esses “jovens promissores”, assim como ao argumento. Se não vejamos: há uns dias atrás estava eu na minha busca incessante em zapping de um programa nacional (note-se) de qualidade quando algo captou a minha atenção na TVI – meia dúzia de gatos pingados comentavam as suas experiências (ou falta delas) no que respeitava ao consumo de qualquer tipo de estupefacientes. Quando me dei conta que se tratavam de actores, ditos “morangueiros” fiquei atónita! Nunca vi tanta estupidez junta; e pior! Vangloriavam-se de nunca terem consumido qualquer tipo de droga, e com mais umas quantas certezas, lá iam arrotando alarvidades, típico de quem não tem qualquer tipo de experiência de vida e muita falta de instrução, numa verdadeira delinquência de valores.
- Esperem lá, disse eu. São estes as “mentes brilhantes” que consomem os ideais dos nossos irmãos mais novos, que preenchem as suas fantasias heterónimas e sonhos de juventude? Mas estes miúdos não sabem falar, nem têm opiniões formadas sobre nada, autovanglorizam-se por um fama efémera e idílica, e digo mesmo: parecem jovens delinquentes de cultura e informação. Será que são estes os modelos que os adolescentes de hoje querem seguir?
O fenómeno da série atinge uma vasta multidão que já se veste, fala e comporta-se como estes “atrasados mentais”. E não fica por aqui! Argumentos como, mais uma vez na minha saga em zapping descobri num outro dia qualquer:
- manel, tu fumas?
- Não mãe, é só umas passas...
- Sabes que fumar mata, provoca cancro e as pessoas sofrer muito?
- A sério? Não sabia mãe, desculpa... não volto a tocar em tabaco!
Ok, isto é o cúmulo!! A juventude não funciona assim! Um puto arrogante e que só diz alarvidades decide acatar os conselhos da mãe que não respeita? Sem falar naquele que vende droga e ataca uma rapariga e sai impune de tráfico e tentativa de homicídio. Ou talvez aquela que tem uma one night stand com um tipo que conheceu na noite anterior e acorda com sintomas de gravidez. Ou será mais convincente aquele que anda a tomar vitaminas ser confundido com um toxicodependente com direito a primeira página do jornal escolar. Mas isto é adultério! A transmutação de realidades que qualquer um subscrevia!
Educar jovens, ainda que brilhantes e sobredotados, é mais difícil em contexto de delinquência de valores. Esconder a realidade de nada vale, estando ela a entrar em milhares de lares. É necessário encarar de frente os problemas que estes adolescentes enfrentam diariamente, e que não se resolve às três pancadas. Eles precisam de desenvolver consciência crítica, mais do que saber distinguir o bem do mal é saberem dizer não ao que está errado e seguir pelo caminho mais correcto. Então porque não começar por educá-los pelos planos de entretenimento?O mais decisivo na educação não é o que estudamos, que lemos ou ouvimos, mas antes a forma, umas vezes imperceptível, outras vezes brutal, como os assuntos e as novidades nos chegam e nos moldam num mundo de ser a que chamamos humanos.