sexta-feira, janeiro 16

Muro das Lamentações da Alma Lusitana


Passei 17 anos a estudar, os últimos 5 a especializar-me... Contudo, o Ensino em Portugal continua na sua inconstante controvérsia; a começar pelo nome: o utópico Sistema de Aprendizagem não resvala o frágil objectivo do suposto Sistema de Ensino. A saga continua quando constatamos que o método de aprendizagem em Portugal passa pelos caprichos da classe educativa, ao invés de privilegiar a definitiva necessidade do instruendo. Isto porque, e como já referi mas é sempre importante frisar, passei 17 anos a estudar e os últimos 5 a especializar-me, para chegar ao desditoso epílogo: o mercado de trabalho não está p'ra quem ensina; está, definitivamente, p'ra quem quer, e sabe, aprender. Qual criança que começa a dar os primeiros passos, o entusiasmo de conseguir dominar a arte da oratória e do desafio, que precisa de ser encarado com muito jogo de cintura, é que me vai valendo para atenuar a fúria e o desalento que indaga o meu pensamento que finalmente, descubro eu, começa a dar de sua graça.

Posto isto, e já com o pensamento afundado nas minhas memórias de estudante, pergunto: do que se lamentam os professores? Dos furos do meu horário p'ra que eles fizessem a pausa para lanchar? Das dúvidas que deveriam ter sido esclarecidas na altura, antes que o vento, ou outras questões se levantassem, ao invés de não interromper a monólogo "educativo"? Talvez as esclarecesse se os tivesse encontrado no gabinete na hora de atendimento... Ou será que se compadeciam quando, na minha limitada mas ainda assim válida experiência do mundo laboral, contestava o inalterado plano curricular datado em 1984? Poucos foram aqueles que consideravam, desde que coerentemente justificada, qualquer resposta.


Afinal, andei a pagar p'ra ser ensinada ou p'ra aprender?

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