quinta-feira, abril 5

Today...

Love...
A verdade sempre começa com uma mentira. E a gravidade insiste
em atirar-me para esse abismo de indecisões.
O amor não é mais que um momento de insanidade. É a soma redutora da dor em si.
E se não doer,
não amamos; se não amarmos, não sentimos; se não sentirmos, não vivemos.
As lembranças falharam-me ao sentir essa serenidade tão assustadora,
como se o mundo tivesse parado de girar e me teleportasse para uma realidade que, embora semelhante,
tornou aquele momento tão irreal e ascético. Foram pequenos pedaços de ti… "something has broken".
Foste tão certo que só podias ser errado.
No tempo, no espaço, no coração, na alma, no pensamento, e até nas palavras.
Naquele momento parece que o destino não se cansava
das suas estéreis tentativas de nos segredar ao ouvido que aquilo poderia ser eterno, se nos atrevêssemos a acreditar!
Não existe receita para chegar na hora certa. O timming nunca é o perfeito. Passamos demasiado tempo a pensar naquilo que devemos fazer, e acabamos por decidir quando já nada temos para escolher. A receita talvez não seja saber quando chegar, mas sim o que decidir quando se chega.
Eu não cheguei na hora certa e tu vais tomar a decisão na altura errada.
Porque o tempo espera... a vida não, nós não. Foi assim que por instantes
senti-me em cima do muro, nunca estive em cima do murro… tombei redonda e estatelei-me feio no chão.
Em cima do muro… Nunca mais!
É difícil entender a magia das excepções da vida humana. As exaltações da curiosidade febricitante; o
s desenlaces platónicos das excitantes surpresas; os dias quentes e brumosos
em que o vento abranda para fazer vibrar os sentidos como cordas de um instrumento,
e os olhos se enchem de lágrimas que não vêm do coração;
a alucinação que a princípio dá origem à dúvida e que insistentemente
me recuso a reduzi-la a termos racionais; o absurdo instalado na inteligência
governando-a com espantosa lógica; o silêncio disposto no lugar da vontade;
a contradição estabelecida entre o pensar e o sentir; o ser desconcertado que sou,
capaz de exprimir a dor com o riso.
A mesma fúria com que me lanço no abismo por amor ao abismo
e na abnegação por amor à abnegação, corrobora a minha sinceridade
e o perfeito desacordo entre aquilo que sou e aquilo que julgam que sou.
É então que esse teu silêncio aterrador me acorda para uma gritante realidade:
tu não existes!
.
.
.
... And other disasters
Há dias em que acredito que as coincidências não existem.
São simplesmente o único trunfo que a vida (ou o destino, para quem acredita nele) tem de nos acordar para outras realidade que desconhecemos. As verdades que tão convictamente não existem porque, afinal de contas, somos ensinados que a vida nos prega partidas constantes e que o Sol não brilha tanto e o Arco-íris não tem tantas cores como com quantas o pintamos.
Quando somos jovens não temos senso de medida, é 8 ou 80.
Precisamos de sentir que somos capazes de viver tudo, ou então não vivemos nada. O nosso alcance excede o alcance da nossa própria imaginação. Se ainda me resta algum complexo de peter pan, ele reside na minha capacidade atroz de viver com a audácia de uma criança de três anos. Opto pelos caminhos mais difíceis, e sei que me proponho a obstáculos quase intransponíveis mas encaro-os como desafios. Se acreditar que a dúvida é o princípio da verdadeira sabedoria, terei de ser capaz de lidar com ela e aceitar que a vida nem sempre é como a queremos. Talvez seja essa constante incerteza que nos mantém agarrados a ela. Não a vejo como um jogo, mas cedo aprendi que nada de bom na vida se consegue sem esforço e dedicação, e que é no lago mais sombrio que encontras o mais belo cisne. Assim como a mais sublime Fénix renasce todos os dias das mais frágeis e pálidas cinzas.
Os caminhos simples conduzem-nos ao fundo do poço, e é aí que, enterrada na tua própria escória, olhas para cima e vislumbras a melhor perspectiva da tua vida. Dizem que para termos aquilo que realmente queremos, temos de ser capazes de sacrificar todo o resto. A vida é demasiado pequena para vivermos outras vidas. E à medida que vamos perdendo aquilo que verdadeiramente amamos, cresce a censura de as procurarmos onde nascem as lembranças. Talvez seja por isso que não preservo todas e quaisquer reminiscências físicas de amores falhados e impossíveis – não fazem parte daquilo que sou e acomodam-me àquilo que não posso ser: falhada e impossível! O sucesso leva-te onde o carácter não consegue manter-te.
A minha história baseia-se num imperceptível desvio do intelecto, numa hipótese audaciosa, uma arriscada dosagem da natureza na amálgama dos sentidos. Não sou amante da imaginação kitch de romances cor-de-rosa. Há que presenteá-los com uma certa crueldade de calibre extra. Em mim encerro nada mais que um caos organizado. Ensinaram-me a ser educada, a praticar o bem, a corrigir os meus erros, a perdoar e a esquecer. Contudo, a vida tratou de me ensinar aquilo que poucos aprenderam. "Parecer o que se é, é um crime.
Parecer o que não se é, um sucesso. A aparência das virtudes é muito mais sedutora do que as virtudes em si, e quem se vangloria de as possuir, tem grande vantagem sobre quem realmente as possui."
Sofri aquilo que chamam de metamorfose de mulher diabólica – bela, apaixonada, convincente, manipuladora, impulsiva, verdadeira e inteligente. Vertiginosamente consigo que se envolvam nas minhas sedutoras deduções, sem me esquecer da imagem que se reflecte no meu espelho todos os dias, quando acordo.
Ninguém é perfeito; simplesmente aprendi a amar-me como sou e respeitar a minha diferença.
Sim, sou uma mulher que possui um talento extraordinário para manipular qualquer variável que ponha em risco o meu delírio continuado no exercício da razão pura ou matemática. Vivo em constante overdose de sentimentos, meticulosamente catalogados e distribuídos pelas prateleiras do meu coração de papel. Dedico-me a explorar e a alargar as fronteiras do espírito e da imaginação, sem nunca esquecer em mim a mais fiel, firme e valiosa crítica cujo ímpeto condiciona a malvadez e me torna prisioneira de mim mesma. Sei que jamais serei o que sou, se acreditar que o sou antes de realmente o ser.