Love...
A verdade sempre começa com uma mentira. E a gravidade insiste
em atirar-me para esse abismo de indecisões.
O amor não é mais que um momento de insanidade. É a soma redutora da dor em si. E se não doer,
O amor não é mais que um momento de insanidade. É a soma redutora da dor em si. E se não doer,
não amamos; se não amarmos, não sentimos; se não sentirmos, não vivemos.
As lembranças falharam-me ao sentir essa serenidade tão assustadora,
As lembranças falharam-me ao sentir essa serenidade tão assustadora,
como se o mundo tivesse parado de girar e me teleportasse para uma realidade que, embora semelhante,
tornou aquele momento tão irreal e ascético. Foram pequenos pedaços de ti… "something has broken".
Foste tão certo que só podias ser errado.
Foste tão certo que só podias ser errado.
No tempo, no espaço, no coração, na alma, no pensamento, e até nas palavras.
Naquele momento parece que o destino não se cansava
das suas estéreis tentativas de nos segredar ao ouvido que aquilo poderia ser eterno, se nos atrevêssemos a acreditar!
Não existe receita para chegar na hora certa. O timming nunca é o perfeito. Passamos demasiado tempo a pensar naquilo que devemos fazer, e acabamos por decidir quando já nada temos para escolher. A receita talvez não seja saber quando chegar, mas sim o que decidir quando se chega.
Eu não cheguei na hora certa e tu vais tomar a decisão na altura errada.
Porque o tempo espera... a vida não, nós não. Foi assim que por instantes
senti-me em cima do muro, nunca estive em cima do murro… tombei redonda e estatelei-me feio no chão.
Em cima do muro… Nunca mais!
É difícil entender a magia das excepções da vida humana. As exaltações da curiosidade febricitante; o
É difícil entender a magia das excepções da vida humana. As exaltações da curiosidade febricitante; o
s desenlaces platónicos das excitantes surpresas; os dias quentes e brumosos
em que o vento abranda para fazer vibrar os sentidos como cordas de um instrumento,
e os olhos se enchem de lágrimas que não vêm do coração;
a alucinação que a princípio dá origem à dúvida e que insistentemente
me recuso a reduzi-la a termos racionais; o absurdo instalado na inteligência
governando-a com espantosa lógica; o silêncio disposto no lugar da vontade;
a contradição estabelecida entre o pensar e o sentir; o ser desconcertado que sou,
capaz de exprimir a dor com o riso.
A mesma fúria com que me lanço no abismo por amor ao abismo
A mesma fúria com que me lanço no abismo por amor ao abismo
e na abnegação por amor à abnegação, corrobora a minha sinceridade
e o perfeito desacordo entre aquilo que sou e aquilo que julgam que sou.
É então que esse teu silêncio aterrador me acorda para uma gritante realidade:
tu não existes!
.
.
.
... And other disasters
Há dias em que acredito que as coincidências não existem.
São simplesmente o único trunfo que a vida (ou o destino, para quem acredita nele) tem de nos acordar para outras realidade que desconhecemos. As verdades que tão convictamente não existem porque, afinal de contas, somos ensinados que a vida nos prega partidas constantes e que o Sol não brilha tanto e o Arco-íris não tem tantas cores como com quantas o pintamos.
Quando somos jovens não temos senso de medida, é 8 ou 80.
Precisamos de sentir que somos capazes de viver tudo, ou então não vivemos nada. O nosso alcance excede o alcance da nossa própria imaginação. Se ainda me resta algum complexo de peter pan, ele reside na minha capacidade atroz de viver com a audácia de uma criança de três anos. Opto pelos caminhos mais difíceis, e sei que me proponho a obstáculos quase intransponíveis mas encaro-os como desafios. Se acreditar que a dúvida é o princípio da verdadeira sabedoria, terei de ser capaz de lidar com ela e aceitar que a vida nem sempre é como a queremos. Talvez seja essa constante incerteza que nos mantém agarrados a ela. Não a vejo como um jogo, mas cedo aprendi que nada de bom na vida se consegue sem esforço e dedicação, e que é no lago mais sombrio que encontras o mais belo cisne. Assim como a mais sublime Fénix renasce todos os dias das mais frágeis e pálidas cinzas.
Os caminhos simples conduzem-nos ao fundo do poço, e é aí que, enterrada na tua própria escória, olhas para cima e vislumbras a melhor perspectiva da tua vida. Dizem que para termos aquilo que realmente queremos, temos de ser capazes de sacrificar todo o resto. A vida é demasiado pequena para vivermos outras vidas. E à medida que vamos perdendo aquilo que verdadeiramente amamos, cresce a censura de as procurarmos onde nascem as lembranças. Talvez seja por isso que não preservo todas e quaisquer reminiscências físicas de amores falhados e impossíveis – não fazem parte daquilo que sou e acomodam-me àquilo que não posso ser: falhada e impossível! O sucesso leva-te onde o carácter não consegue manter-te.
A minha história baseia-se num imperceptível desvio do intelecto, numa hipótese audaciosa, uma arriscada dosagem da natureza na amálgama dos sentidos. Não sou amante da imaginação kitch de romances cor-de-rosa. Há que presenteá-los com uma certa crueldade de calibre extra. Em mim encerro nada mais que um caos organizado. Ensinaram-me a ser educada, a praticar o bem, a corrigir os meus erros, a perdoar e a esquecer. Contudo, a vida tratou de me ensinar aquilo que poucos aprenderam. "Parecer o que se é, é um crime.
Parecer o que não se é, um sucesso. A aparência das virtudes é muito mais sedutora do que as virtudes em si, e quem se vangloria de as possuir, tem grande vantagem sobre quem realmente as possui."
Sofri aquilo que chamam de metamorfose de mulher diabólica – bela, apaixonada, convincente, manipuladora, impulsiva, verdadeira e inteligente. Vertiginosamente consigo que se envolvam nas minhas sedutoras deduções, sem me esquecer da imagem que se reflecte no meu espelho todos os dias, quando acordo.
Ninguém é perfeito; simplesmente aprendi a amar-me como sou e respeitar a minha diferença.
Sim, sou uma mulher que possui um talento extraordinário para manipular qualquer variável que ponha em risco o meu delírio continuado no exercício da razão pura ou matemática. Vivo em constante overdose de sentimentos, meticulosamente catalogados e distribuídos pelas prateleiras do meu coração de papel. Dedico-me a explorar e a alargar as fronteiras do espírito e da imaginação, sem nunca esquecer em mim a mais fiel, firme e valiosa crítica cujo ímpeto condiciona a malvadez e me torna prisioneira de mim mesma. Sei que jamais serei o que sou, se acreditar que o sou antes de realmente o ser.