Nos próximos anos, a actual crise mais não será do que um capítulo nos livros de economia. Os prejuízos e as amortizações dos bancos, ou a actuação dos governos serão de certeza alvo de análises cuidadosas por parte dos especialistas. No entanto, fora dos manuais ficarão os efeitos singulares de uma crise cujo fim continua ainda adiado.
Se sectores como o financeiro sofreram um duro revés no seu habitual funcionamento, a vida do comum dos mortais sofreu mudanças que poderão levar tempo a serem restabelecidas. Desde as férias até à própria televisão, nada nem ninguém escapou ao "furacão" económico.
Por exemplo: devido às inúmeras despesas envolvidas no processo, avançar com um divórcio é algo que está, por agora, fora dos planos de muitas pessoas. A contenção de custos também se reflecte nos gastos com as férias: quando não há dinheiro para a neve, a opção parece estar numa ida à pesca.
A era dourada do luxo está também em modo ‘stand-by'.As vendas de artigos de luxo vão cair 10% este ano. E os próprios ‘rappers'- habituados a usar extravagantes fios de ouro- estão a adoptar um estilo mais modesto.
Ainda assim, nem tudo é negativo. Há quem aproveite a crise para lucrar através da venda de merchandising. Foi o que aconteceu com os escândalos financeiros em torno de Madoff. Logo a seguir a descoberta da fraude vários sites começaram a vender t-shirts com a cara de Madoff . Afinal a crise também é uma oportunidade.
1. Número de Divórcios recua
Os tempos de turbulência não convidam a separações. Por isso não é de admirar que o número de divórcios tenha recuado mundialmente nos últimos dois anos. Além dos custos elevados com a separação, sobretudo com os procedimentos legais, há outros factores que passaram a pesar na hora da "ruptura". Uma vez que os preços das casas continuam a recuar, torna-se complicado para os casais conseguir vender a casa que compraram em conjunto. A juntar a isto, "desfazer" créditos e procurar casas novas pode ser complicado nesta conjuntura. Na existência de filhos, há ainda que contar com os custos associados a uma pensão de alimentos que terá de ser paga.
2. Trocar a neve pela pesca
Mais um sinal dos tempos actuais. Nos EUA são cada vez mais as pessoas que optam por trocar as férias na neve por um simples dia de pesca. O argumento não podia ser mais compreensível: Enquanto que um balde de isco custa apenas 6 dólares e pode durar um dia inteiro, já um bilhete de teleférico na neve custa, pelo menos, 80 dólares.
3. Crise chega à Televisão
Não há nenhuma série, e até filme, que já não tenha a crise financeira como musa inspiradora. Desde as "Donas de casa desesperadas" até à família Simpson, a televisão reflecte cada vez mais o estado actual da sociedade. Contudo, o lado educativo da televisão não ficou esquecido e, apesar de satírica, a própria Rua Sésamo já se encarregou de explicar a fraude Madoff.
4. Vendas de artigos de luxo caem
As marcas de luxo estão a sentir na pele os efeitos da contracção económica. As vendas de carros de luxo ou de iates têm vindo a recuar, e nem bijuteria consegue escapar. Conhecidos pelos seus longos e pesados fios de ouro, os ‘rappers' norte-americanos estão a trocar o estilo extravagante por uma vida mais modesta. Se alguns casos optam por anéis e medalhões mais baratos, noutros chegam a usar jóias de imitação.
5. Desporto perde patrocínios
Nenhum sector conseguiu escapar à crise, nem mesmo o desporto. No futebol a seguradora AIG - que teve de ser resgatada pelo Estado americano - já revelou que não vai renovar o contrato de patrocínio ao Manchester United. Também a Fórmula 1 já conheceu melhores dias. A falta de dinheiro acabou por ditar o cancelamento do Grande Prémio de França e a Honda acabou por ser forçada a abandonar o campeonato deste ano.
6. Economicídio
Este foi o nome escolhido pelos psicólogos para descrever a vaga de suicídios que os peritos consideram estar ligada à crise financeira mundial. Magnatas como o barão irlandês Patrick Rocca (na foto) ou o alemão Adolf Merkle foram nomes que fizeram notícia ao longo dos últimos meses por não terem conseguido enfrentar as avultadas perdas de dinheiro, consequentes da crise, e terem posto termo à sua própria vida.
7. Negócios que floresceram à custa da turbulência
A crise não é apenas sinónimo de más notícias e prejuízos. Há quem aproveite a imagem dos protagonistas das mais recentes fraudes financeiras para fazer dinheiro. E vale quase tudo. Em lojas ou na internet, é possível comprar artigos relacionados com Madoff ou com Kerviel. Desde um rolo de papel higiénico às famosas canecas, passando pelas simples t-shirts ou crachás, a escolha é variada.
in Económico
Se sectores como o financeiro sofreram um duro revés no seu habitual funcionamento, a vida do comum dos mortais sofreu mudanças que poderão levar tempo a serem restabelecidas. Desde as férias até à própria televisão, nada nem ninguém escapou ao "furacão" económico.
Por exemplo: devido às inúmeras despesas envolvidas no processo, avançar com um divórcio é algo que está, por agora, fora dos planos de muitas pessoas. A contenção de custos também se reflecte nos gastos com as férias: quando não há dinheiro para a neve, a opção parece estar numa ida à pesca.
A era dourada do luxo está também em modo ‘stand-by'.As vendas de artigos de luxo vão cair 10% este ano. E os próprios ‘rappers'- habituados a usar extravagantes fios de ouro- estão a adoptar um estilo mais modesto.
Ainda assim, nem tudo é negativo. Há quem aproveite a crise para lucrar através da venda de merchandising. Foi o que aconteceu com os escândalos financeiros em torno de Madoff. Logo a seguir a descoberta da fraude vários sites começaram a vender t-shirts com a cara de Madoff . Afinal a crise também é uma oportunidade.
1. Número de Divórcios recua
Os tempos de turbulência não convidam a separações. Por isso não é de admirar que o número de divórcios tenha recuado mundialmente nos últimos dois anos. Além dos custos elevados com a separação, sobretudo com os procedimentos legais, há outros factores que passaram a pesar na hora da "ruptura". Uma vez que os preços das casas continuam a recuar, torna-se complicado para os casais conseguir vender a casa que compraram em conjunto. A juntar a isto, "desfazer" créditos e procurar casas novas pode ser complicado nesta conjuntura. Na existência de filhos, há ainda que contar com os custos associados a uma pensão de alimentos que terá de ser paga.
2. Trocar a neve pela pesca
Mais um sinal dos tempos actuais. Nos EUA são cada vez mais as pessoas que optam por trocar as férias na neve por um simples dia de pesca. O argumento não podia ser mais compreensível: Enquanto que um balde de isco custa apenas 6 dólares e pode durar um dia inteiro, já um bilhete de teleférico na neve custa, pelo menos, 80 dólares.
3. Crise chega à Televisão
Não há nenhuma série, e até filme, que já não tenha a crise financeira como musa inspiradora. Desde as "Donas de casa desesperadas" até à família Simpson, a televisão reflecte cada vez mais o estado actual da sociedade. Contudo, o lado educativo da televisão não ficou esquecido e, apesar de satírica, a própria Rua Sésamo já se encarregou de explicar a fraude Madoff.
4. Vendas de artigos de luxo caem
As marcas de luxo estão a sentir na pele os efeitos da contracção económica. As vendas de carros de luxo ou de iates têm vindo a recuar, e nem bijuteria consegue escapar. Conhecidos pelos seus longos e pesados fios de ouro, os ‘rappers' norte-americanos estão a trocar o estilo extravagante por uma vida mais modesta. Se alguns casos optam por anéis e medalhões mais baratos, noutros chegam a usar jóias de imitação.
5. Desporto perde patrocínios
Nenhum sector conseguiu escapar à crise, nem mesmo o desporto. No futebol a seguradora AIG - que teve de ser resgatada pelo Estado americano - já revelou que não vai renovar o contrato de patrocínio ao Manchester United. Também a Fórmula 1 já conheceu melhores dias. A falta de dinheiro acabou por ditar o cancelamento do Grande Prémio de França e a Honda acabou por ser forçada a abandonar o campeonato deste ano.
6. Economicídio
Este foi o nome escolhido pelos psicólogos para descrever a vaga de suicídios que os peritos consideram estar ligada à crise financeira mundial. Magnatas como o barão irlandês Patrick Rocca (na foto) ou o alemão Adolf Merkle foram nomes que fizeram notícia ao longo dos últimos meses por não terem conseguido enfrentar as avultadas perdas de dinheiro, consequentes da crise, e terem posto termo à sua própria vida.
7. Negócios que floresceram à custa da turbulência
A crise não é apenas sinónimo de más notícias e prejuízos. Há quem aproveite a imagem dos protagonistas das mais recentes fraudes financeiras para fazer dinheiro. E vale quase tudo. Em lojas ou na internet, é possível comprar artigos relacionados com Madoff ou com Kerviel. Desde um rolo de papel higiénico às famosas canecas, passando pelas simples t-shirts ou crachás, a escolha é variada.
in Económico